A Pesca Desportiva: BEACH LEDGERING

A Pesca Desportiva

Blog de pesca desportiva. Muitos dos temas foram publicados em sites de pesca desportiva.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

BEACH LEDGERING

O “beach ledgerind”, em português podemos denomina-la de “pesca de lançamentos curtos”, termo de origem anglo-saxónico, é uma técnica especifica com origem no “surfcasting”, que ao longo dos tempos foi criando um estilo e uma identidade própria, a diferença centra-se no material e na técnica usada.

Muito praticada nas costas mediterrâneas do sul da Itália, França e Espanha, em Portugal o melhor local para se poder praticar esta modalidade é sem sombra de dúvida o Algarve, não quer com isto dizer que em casos pontuais não se possa fazer em outras zonas do país, quando o mar cai.

As diferenças não são abismais, e muitos apaixonados do “surfcasting” praticam-na regularmente com material ligeiro e mar calmo, centram-se nos lançamentos que são feitos a pequenas distâncias, isto é, como costumo dizer lançamos para debaixo dos pés.
Pretende fazer-se capturas em condições de mares calmos, ou pouco agitados, onde os fundos são pouco mexidos, quando as capturas são pouco produtivas com os grandes lançamento, onde na maioria das vezes o peixe nada em busca de alimento aproximando-se de águas pouco profundas, junto da zona que marca o limite da praia-mar numa faixa que se estende por cerca de 30 metros, mar dentro, onde exista um fundão, um canal, ou aproveitando a maré na vazante e acompanhando-a na sua vaza.





Praia Grande de Sintra



Podemos pescar nos areais das praias, em zonas rochosas, ou mistas da nossa costa mas sempre ao nível do mar.
Temos melhores oportunidades ao nascer do dia e ao pôr-do-sol, quando as águas estão escuras, podemos procurar capturas durante o dia, mas com águas límpidas e paradas as hipóteses são reduzidas.
É uma técnica que não requer uma particular preparação atlética, porque não são necessários os lançamentos para grandes distâncias, para além das ondas, como os praticados no “surfcasting”. Devemos praticar esta técnica, tal como referimos atrás, com mares calmos, pouca ondulação inferior a 1 metro, essa pequena ondulação terá de ser activa no fundo, o que fará com que os fundos sejam remexidos e o peixe seja atraído para esses locais em busca de alimento.
O equipamento de pesca deverá ser ligeiro, poderemos consoante a zona de pesca utilizar dois modelos de “canas”:

uma “ligeira” com capacidade de lançar entre 10 e 40 gramas;
outra “média” para lançamentos na ordem dos 40 a 120 gramas;

Com um comprimento compreendido entre os 3 a 3,5 metros e os 4,5 a 5 metros, de modelo duas a três partes de encaixe ou telescópicas, de fácil arrumação e transporte.

O “carreto” deverá estar equilibrado com a cana e ser também leve, eu prefiro os de bobine fixo e com o embraiagem frontal.

O “monofilamento” nunca irá além dos diâmetros de 0,45/0,50, mas os diâmetros mais utilizados nesta especialidade andam entre os diâmetros de 0,18/0,20 até aos diâmetros de 0,30/0,35, sendo conveniente usarmos monofilamentos de qualidade, e termos o cuidado de quando voltarmos da pesca cuidarmos da lavagem de todo o material em água corrente para retirar o sal, e após três ou quatro idas á pesca retirarmos o fio da bobine, passarmos o fio por um pano embebido em “vaselina líquida” quando da rebobinagem do mesmo. Esta manutenção elimina os resíduos de salitre e proporciona uma recuperação do fio, nomeadamente a nível da elasticidade.

As “chumbadas” que iremos utilizar poderão ter os mais diversos formatos, desde as redondas, piramidais, oblongas, achatadas ou mesmo as furadas, que nunca ultrapassarão as 100 gramas, consoante as canas que estivermos a utilizar.

O “isco” não diferencia do usado nas outras técnicas de pesca, a grande diferença centra-se na utilização mais de iscos moles, já que como os lançamentos são mais suaves a possibilidade do isco cair é diminuta.

Devemos mais uma vez pôr em prática os conhecimentos que temos sobre a zona onde vamos pescar, no campo das condições técnicas do pesqueiro como no alimento que as espécies ali procuram. Se estivermos numa qualquer praia de areia, o isco utilizado deverá ser à base de anelídeos, amêijoa, berbigão, e a multifacetada sardinha.




Tiagem Camarão Sardinha


Em zonas rochosas podemos juntar às anteriores o camarão, o mexilhão, a lapa, o caboz, o caranguejo, etc. Podemos ou não utilizar um engodo mesmo em pleno areal, sempre ajuda a atrair o peixe.
Ao aparelho utilizado podemos associar um engodador, dos utilizados na pesca de águas interiores, de compra ou de bricolage, feito com uma simples caixinha de plástico de rolo fotográfico e um tubo de cotonete, fura-se a tampa e o fundo da caixinha, cola-se o tubinho de cotonete ao fundo da mesma com cola de cianeto, o fio corre por dentro do tubo de cotonete.


Praia Pequena do Rodízio


Tal como no “surfcasting” poderemos ou não utilizar “suportes de apoio” para colocarmos as canas enquanto esperamos que por ali passe um qualquer incauto predador esfomeado que decida provar o nosso isco.
Muitos pescadores de “beach ledgerind” as praias com a cana na mão procurando o peixe ao longo dos pesqueiros. As imagens representam, quanto a mim, duas situações típicas de mar em condições de se praticar o “beach ledgerind” na costa sintrense, mais haverá, praias não faltam
Espero ter contribuído para o esclarecimento de mais uma das muitas variantes da pesca desportiva
Nesta especialidade podemos pescar todo o tipo de predadores comuns ao “surfcasting”, caso dos robalos, sargos, douradas, e muitas outras espécies de peixes da nossa costa, nomeadamente os planos que se encontram enterrados nos fundos de areia, durante as vazantes ao recolhermos as linhas podemos despertar-lhes a atenção para o isco.
Nesta especialidade da pesca de costa com cana devemos sempre efectua-la em companhia de uma cana de “surfcasting” para conseguirmos alcançar toda a dimensão de mar á nossa frente.





Praia Pequena do Rodízio


Deixo-vos aqui uma montagem para a pesca ligeira da autoria de Robert Perret, que poderá ser usada nesta técnica de pesca.
A novidade neste aparelho é a existência de um segundo estralho de 10 ou de 20 centímetros, de preferência com um anzol mais pequeno que o do estralho principal, colocado a 10 ou 20 centímetros do primeiro.





As próximas imagens de aparelhos de pesca são realizadas e utilizadas por mim.
Com chumbada furada de correr, esférica ou oblonga, a linha passa pelo seu interior ficando solta para o iscada vogar ao sabor da corrente. O espaço entre as pérolas é aleatória podendo ser maior ou menor ao critério do pescador, tendo em conta que a pérola que fica próximo da ponteira tem de ficar fora da ponteira para não prejudicar o lançamento. O comprimento do estralho deverá ter cerca de 1,20 metros, consoante o estado do mar será encurtado ou alongado
E com chumbada fixa, aqui a distancia entre o destorcedor triplo e chumbada também é ao critério do pescador, estando o seu tamanho relacionada com as condições de pesca. O tamanho do estralho poderá ser maior ou menor que o comprimento do fio que liga o destorcedor à chumbada, e o seu comprimento está relacionado com as condições do mar.
Eu normalmente uso um só anzol, no máximo dois por cana, mas podemos usar até três, que é o máximo autorizado por lei por cana, e não podemos pescar com mais de três canas por pescador. Deixo-vos aqui dois aparelhos que habitualmente utilizo.







A medida do anzol está directamente relacionada com o tamanho dos peixes que pretendemos capturar. Deveremos usar um anzol que nos evite apanhar espécies muito pequenas, pois apanhando-as com a medida não regulamentar estamos a prejudicar o futuro do nosso prazer de ir à pesca.
Podem encontrar mais dados sobre esta técnica de pesca desportiva na seguinte

Bibliografia e webgrafia.

Bibliografia:

Mundo da Pesca ( artigo de Fernando Corvelo, pescador algarvio)
Mundo da Pesca ( artigo de Miguel Soler, pescador espanhol)

Webgrafia:

LE TECNICHE DI BASE DEL BEACH LEDGERING
Pesca dalla riva nel Mediterraneo




Fiquem bem

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