A Pesca Desportiva: PESCA DE ARRASTO COM GANCHORRA

A Pesca Desportiva

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sábado, 3 de novembro de 2007

PESCA DE ARRASTO COM GANCHORRA

A Ganchorra é uma arte de arrasto, rebocada por uma embarcação perto da costa ou por pescadores na zona de maré, destinada á captura de moluscos bivalves.
É composta por uma armação metálica dotada de um pente de dentes na parte inferior à qual está ligado um saco de rede.
A pesca com ganchorra pratica-se de norte a sul, no zona sul do país pratica-se entre Vila Real de S. António a Sagres, utilizando:

Pescador na apanha de bivaldes com ganchorra

  • O arrasto de cintura ou arrasto de cinta é uma draga manual, utilizada em zonas de areia, na maré baixa, constituída por um cabo de madeira, uma cinta e uma armação em ferro, com uma pá na parte inferior, a qual possui um saco de rede;

Ganchorra manual

  • O arrasto de popa ou Vara que é uma arte de arrasto pelo fundo, rebocado com uma embarcação. É constituído por uma estrutura formada por dois patins metálicos ligados a uma vara de madeira ou de ferro, a qual tem entralhado um saco de rede;

O arrasto de mão ou arquim que é composto por uma vara de madeira e por um aro de arame, que tem entralhado um cone em rede. É utilizado nos bancos de areia durante a maré baixa, a partir da praia.

Barco de arrasto com ganchorra

Esta arte de arrasto está devidamente regulamentada por vários decretos:


Decreto Regulamentar n.º 43/87 de 17-07-1987,

Decreto Regulamentar n.º 45/87 de 17-07-1987,

CAPITULO VIII

Pesca com ganchorra

Artigo 33.ºDefinição da arte

1. Entende-se por ganchorra uma arte de arrastar, destinada à captura de moluscos bivalves, constituída por uma armação metálica com um pente de dentes ou com um varão ou tubo cilíndrico na parte inferior, à qual está ligado um saco de rede que serve para a recolha dos bivalves.

2. A ganchorra poderá ser promovido com uma grelha de barra paralelas soldadas à parte inferior da armação e dirigida ao interior do saco.

Na legislação que regulamenta a área e limites de pesca, onde se exercer a pesca de bivalves, podemos ver os limites de profundidade e a distância da costa onde se pode pescar.

Portaria n.º 149/92 de 10 de Março,

Artigo 5.º

Limites interiores das zonas de operação

Os limites interiores das zonas de operação referida no artigo anterior são definidos pelo batimétro dos 3 metros na baixa-mar, dos 4,5 metros na meia-maré e dos 6 metros na praia-mar.

Portaria n.º 1102-E de 2000, de 22-11-2000,

Artigo 12.º,

Limites interiores das zonas de operação

1. O exercício da pesca com ganchorra rebocada por embarcação só é permitido em profundidades superiores a 2,5 metros.

2. Sem prejuízo do disposto no número anterior, a pesca com ganchorra rebocada por embarcação não pode ser exercida a menos de 300 metros da linha de costa em áreas concessionadas, durante a época balnear.

No campo ambiental temos que o uso da ganchorra, ou qualquer outra arte de arrasto, quando arrastado pelo fundo, destrói os habitats das espécies bentónicas, afectando também a produtividade das outras espécies.

Os habitats costeiros são um local fértil e propicio ao acasalamento, reprodução e crescimento de muitas espécies de espécies de peixes e bivalves.

Ao destruirmos os habitats costeiros, destruímos uma das maiores fontes de peixes que consumimos.

As ganchorras, as redes de arrasto e equipamentos semelhantes são os grandes responsáveis pela destruição que se verifica em praticamente todas as zonas pesqueiras, matando, esmagando, enterrando ou expondo aos predadores as criaturas marinhas que ai vivem.

Não existem sítios a salvo de técnicas de pesca destrutivas, como o arrasto.

Dei realce a esta arte, transcrevendo os pontos que considerei de maior relevo, a nível legislativo, para a análise do que não é, ou eu considero não ser, cumprido pelos pescadores profissionais.

No fim do verão passado, escrevi uma crónica de férias, em que expunha que durante a minha estadia na região de Tavira, com as visitas diárias á praia da Manta Rota, tinha constatado que a recolha de bivalves através do arrasto me parecia estar a ser praticada dentro da legalidade, por a distância do arrasto em relação á costa, quanto a mim, não estar a ser cumprida. Após ler a legislação fico mais convencido de que tinha e, tenho razão, claro que não posso provar porque não fiz qualquer medição, a não ser o cálculo feito à vista na minha perspectiva visual.

Todos nós pescadores de lazer, temos visto que em muitas ocasiões os diferentes barcos de pesca estão tão próximo da costa que duvidamos da sua própria segurança, e por isso muitas vezes encalham pondo em risco as vidas dos pescadores profissionais e dos profissionais que têm de fazer o salvamento, tal como todos os anos vem noticiado nos nossos órgãos de comunicação social.

Constatei que para algumas destas artes utilizadas a partir da própria praia, nomeadamente, na arte do arquim. Que todos os anos se vêm na maré-vazia realizar este trabalho.

Mas, a situação mais alarmante que me chamou à atenção, foi a de durante cerca de quinze dias de idas à praia, nunca se me deu ver um elemento da autoridade marítima, quer a pé quer um barco de guerra, para fiscalizar tal ou, tais actividades.

Perguntarão o porquê deste artigo, não mais do que trazer até vós o conhecimento de uma arte de pesca profissional que bem cumprida servirá de pão a muita gente, mas a fuga á legislação poderá trazer grave instabilidade ao meio marinho podendo chegar ao desaparecimento das espécies em causa.
Todos nos lembramos dos problemas causados pelos barcos espanhóis no passado devido á pesca ilegal.
No entanto ao lermos alguns dos muitos artigos consultados por mim, poderemos constatar de que existe por parte dos serviços que fiscalizam esta pesca uma tentativa de controlar, através da monitorização, da calibragem e, sensibilização dos pescador para a necessidade da preservação das espécies.
Tudo isto não se refere unicamente ao sul de Portugal, mas sim, a todo o país.

Os dados foram recolhidos nos sites:

8 Comentários:

  • Às 10 de março de 2011 às 20:13 , Anonymous Carlos Matos disse...

    Para esta situação da falta de fiscalização é o primeiro blog onde vejo. Mas devo tambem dizer que o primeiro fiscal somos nós próprios e uma pequena denúncia para a capitania poderia resolver o assunto. Mas sim, tambem a falta de fiscalização deveria ser mais eficaz, e não o é, poderíamos tambem fazer chegar á Autoridade Marítima que a fiscalização foi mal conseguida. E que para tal deveria estar assegurada com mais regularidade embarcaçãos de fiscalização da Marinha, elementos apeados, ou em viaturas e porque não com helicópteros como a nossa vizinha Espanha. De modo a que situações destas não se repitam.

     
  • Às 14 de abril de 2011 às 00:27 , Anonymous Anónimo disse...

    No tejo e muito pior.Sao dezenas de barcos a arrastar com ganchorras dentro do estuario e a policia maritima nao deve ter muito interesse em apanhar os prevericadores, pois nao ha´apreensoes nem de barcos nem das viaturas que fazem o transporte da ameijoa, sendo o valor das poucas multas irrisorio em relaçao aos elevadissimos lucros obtidos com a apanha de varias toneladas diariamente.Destroem um ecossistema fragil,nao pagam licenças,nao pagam impostos,introduzem no mercado ameijoa contaminada pondo em perigo a saude publica,sem problemas,sem remorsos.Vitimizao-se,mas pagam as ganchorras em dinheiro,na hora e sem factura!Outra farsa,o constructor contribui igualmente e impunememte para esta anarquia sem fim a vista e onde parecem existir factores que se sobrepoeem à lei.SERÁ ASSIM?

     
  • Às 29 de agosto de 2011 às 17:57 , Anonymous Anónimo disse...

    NAO DEVEM TER NADA QUE FAZER,QUE TRISTEZA ,POR ISSO ESTE PAIS NÃO DESENVOLVE .

     
  • Às 17 de novembro de 2012 às 12:47 , Anonymous Anónimo disse...

    muito gostam vocês de cumentar a "mulher" (vida) dos outros . nao lhe chega o seu trabalhinho e xegar ao fim do mes e ter o seu ordenado para poder comer e beber ???

    pense que os pescadores se nao forem ao mar nao comem nem bebem e teem filhos para criar.

    nao critique a vida dos outros

     
  • Às 2 de junho de 2014 às 16:20 , Anonymous Anónimo disse...

    Em vez de criticarem, e fazerem queixinhas às autoridades, ou preocuparem-se com o que este ou aquele lucra, porque não sugerem ao governo permitir as licenças para a apanha destes bivalves, desta forma acredito que haveria muita pessoa a fazer a apanha legalmente, e aí até compreendo que quem não a tivesse poderia sofrer algum tipo de sanção..... Mas vejamos, os meus amigos que tanto se queixam de quem apanha ameijoa ou outros, gostam de no verão de sentarem esses cus recostados nas esplanadas e encherem a barriga, destas iguarias, que são apanhadas por toda a nossa costa, no entanto e por causa de tanta burocracia, a maior parte é apanhada cá, vai para Espanha e volta para vocês as comerem..... não seria melhor dar este lucro a ganhar ao estado Português???? é por isto que esta porcaria de País não sai daqui desta miséria..... Lembrem-se como já alguém disse, os que chegam ao fim do Mês e têm o ordenado na conta, são os que criticam, pois se caírem no desemprego e não tiverem como sustentarem os vossos filhos, depressa descobrem que com algumas ameijoas põe comer na boca dos miúdos, e não precisam roubar.... mas aqui em Portugal ainda há quem prefira roubar a retirar do mar o que ele dá, e nem venham com "chachadas" para não dizer mesmo merdas que o mar é de todos, perguntam-se se eu tb apanho ameijoa? SIM APANHO, mas à mão e isso ainda tem sido o que tem salvo as fraldas, médicos, papas cá em casa, então sou criminoso? ou devo ir esmurrar velhinhos e assaltar bancos ? Bem haja.... Pensem talvez algum dia precisem de colher do mar...... Cumprimentos Marcos -TOxa

     
  • Às 24 de junho de 2014 às 23:40 , Anonymous Anónimo disse...

    És especialista em microbiologia? Não deves ser, então parto do principio que estás nas tintas quantas pessoas colocas no hospital com as tuas ameijoas apanhadas à mão. Justificas as tuas ilegalidades porque achas que devia ser legal, és um banana.

     
  • Às 30 de junho de 2014 às 00:47 , Anonymous Anónimo disse...

    Por acaso não sou especialista em microbiologia, mas posso explicar-te que se comeres uma alface acabada de a apanhar e a lavares mal, bem podes contar com uma bela diarreia da mesma forma, tal e qual como os bivalves, que devem "DEVEM" DEPURAR ENTRE 24 A 48HORAS, para se livrarem das toxinas, ao contrario do que a maioria pensa ser apenas para limpar areia "tal como deves tu pensar" , no entanto, a tua teoria, é de uma esperteza enorme, pensas que as ameijoas que são compradas nos Hipermercados a 14 euros o quilo ou mais ou também menos que são criadas a biberão? Todas elas estão nas mesmas aguas, umas em Setúbal outras Algarve e por aí fora. Pensas que 90% da ameijoa que compras nos hipers e têm a etiqueta são espanholas? fica a saber caso "não" saibas, os espanhóis estão diariamente a comprá-la a quem a apanha, levam para Espanha, fazem a depuração 48 horas, embalam, e depois voilá hipers Portugueses a 14 euros o kilo!!!!! mas afinal somos parvos? eu não me considero muito, às vezes sou, porque me convém. Do que apanho, também como , e até hoje nunca tive problema nenhum, e tenho o cuidado de as entregar prontinhas a cozinhar.... acho piada quando se diz estão contaminadas, porque as águas não estão em condições, e o povo acredita..... ora que caraças então todo o ser vivo nessa agua está contaminado..... será que não percebem que tudo é uma jogada comercial????? Repara só nisto: na mesma agua trabalham embarcações ao arrasto que podem apanhar as ameijoas, neste caso a ameijoa desintoxica só de entrar no barco? lol passem mas é licenças a quem quer trabalhar, para que os desempregados possam apanhar e vender (passar facturas para contribuir para o país) e não andarem tipo contrabandistas.... certamente alguém recebe muito dinheiro para que a ameijoa vá para Espanha. Por isso digo-te aqui e agora: És mesmo um ananás... cumps Marcos (TOxa)

     
  • Às 23 de agosto de 2016 às 13:46 , Anonymous Anónimo disse...

    Daqi a uns anos veremos como está o fundo do rio tejo. . Voces qe apanham ameijoas, destroem oshabitats de todas as especies marinhas, O estuário do tejo é um sitio onde muitas especies se veem reproduzir, acasalar e desovar. . o qe acontece se passares muitas vezes num sitio com ervas? deixa de crescer, fica areia certo?o fundo do mar é igual, mas nao fica areia, fica podre, sem nada para os peixes comerem. . eu sei qe é o ganha pao de muita gente, mas nao há 1 barco de arrasto qe cumpra todos os requesitos de apanha da ameijoa, mesmo os qe sao legais. .

    Durante 1 mes, estao 15 barcos a arrastar no mesmo sitio( fora outrs dezenas noutros sitios),tudo ilegal, quando deixa de haver, vao 100m para outra direcçao, quando nao houver outra vez, vao 100m noutra direcçao e assim continuam e estragam todo o rio.

    Voces nao teem noçao dos danos qe as ganchorras fazem ao fundo mo mar e ao ciclo marinho . .

     

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